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quinta-feira, 17 de julho de 2008

Paciente terminal

No início, não nos preocupamos... Dava sim pra ver que ele estava com algum problema, mas não parecia nada sério... Com o tempo ele iria voltar ao normal...

Os dias foram passando, mas a recuperação esperada não vinha... A situação que parecia tranquila no começo, foi se agravando cada vez mais...

Ele procurou ajuda... conversou com diversas pessoas que poderiam ajudá-lo a se curar, mas ninguém conseguia resolver o problema...

Nós continuávamos acreditando que a qualquer momento ele iria dar a volta por cima... Torcíamos muito pra isto e procurávamos dar forças para ele, ainda que todas as outras pessoas dissessem que não teria jeito... que "desta", ele não sairia...

Era agoniante ver aquele sofrimento, aquela sua luta incansável pra sobreviver, sem que isto surtisse efeito... pelo contrário, parecia que quanto mais lutava, mais se aproximava do fim...

Questionávamos-nos: Por que, meu Deus? Ele estava tão bem! Por que justo com ele, que sempre foi bom, nos fazia tão feliz... O que fizemos de errado pra merecer tamanho sofrimento?

Os últimos dias foram os piores: a inútil tentativa de negar algo que já tínhamos certeza que iria acontecer... a esperança servia apenas de consolo, um engodo necessário pra não entregar os pontos de vez...

Até que - pra tristeza de todos que o amava - não deu mais...

O campeonato acabou e nosso time caiu para a 2ª divisão.

Foi difícil demais suportar este martírio, mas não foi o fim.

Na verdade, o pior já tinha passado... Agora era a hora de levantar a cabeça e seguir em frente: "Ano que vem vamos ganhar a Segundona e voltar com dignidade para a 1ª divisão..."


Ainda bem que o futebol - diferente da vida – nos dá uma 2ª chance.


ESTE TEXTO É DEDICADO À TORCIDA DO SANTOS, QUE VEM ASSISTINDO SEU TIME "DEFINHAR" NO CAMPEONATO BRASILEIRO.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Quanto mais evoluímos, mais ficamos dependentes...

Ontem de manhã cheguei na estação do Metrô e tentei recarregar meu bilhete único... Ao chegar no guichê vazio, a mocinha me disse, com cara de desânimo:

- Desculpe senhor, estamos sem sistema !

Como ainda tinha uns trocadinhos de crédito, me livrei de pegar a imensa fila pra comprar aquele ultrapassado bilhete de papel...

Ao chegar no trabalho, liguei o computador e nada do Outlook funcionar... "E agora, como vou mandar os relatórios que eram pra ontem ?"

Os demais programas (instalados na rede) e a internet simplesmente não abriam... e tome ligação pro "Helpdesk":

- Cara, nada funciona !!! O que está havendo ?

- Então, estamos com problema no nosso servidor e o sistema se encontra instável... Já estamos trabalhando pra normalizar a situação.

E assim foi durante todo o dia... Até consegui abrir um ou outro programa e vez por outra alguma página da internet, mas a lentidão do micro me fez lembrar aquele 286 que eu usava na imobiliária do meu pai ( e que nem um ano do meu salário de office boy seria suficiente pra comprar).

Somente hoje - ao ler os jornais - fiquei sabendo que a "pane virtual" afetou mais de 400 cidades do Estado de São Paulo, prejudicando usuários, empresas privadas e órgãos públicos (como a Polícia Civil); e que fora ocasionada por um problema não identificado na rede da Telefônica.

Isto me fez pensar o quanto - a cada dia mais - ficamos dependentes de algo tão frágil.

Na medida em que os computadores, as redes e principalmente a internet nos possibilita realizar as mais diversas atividades humanas (como nos relacionar, trabalhar, estudar, comprar, se divertir) de forma prática e ágil, ao simples toque de um botão; vamos estabelecendo uma relação de dependência tão intensa para com elas, que acabamos por nos tornar verdadeiro "escravos" da tecnologia. Chegando ao ponto de paralisarmos todas as nossas atividades, devido à quebra de um simples fio ou à pane de algum item do sistema que alimenta todo este universo cibernético.

Ontem, pude ter uma idéia de como a humanidade - ao mesmo tempo que evolui - se torna dependente...

Fico imaginando o que seria de nós, se tivéssemos que ficar pelo menos uma semana sem qualquer tipo de fonte de energia... Vc consegue se imaginar passando uma semana sem luz, sem TV, sem rádio, sem computador, sem transporte ? Você consegue imaginar o que isto iria causar na economia, na política e na sociedade de forma geral ?

Sei que uma situação como esta é impossível de acontecer, mas gostaria de ver suas consequências, nem que fosse na tela do cinema (se algum roteirista de Hollywood se interessar, podemos negociar os direitos autorais !!!).